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Diário Oficial da União (Brasil)
Notícias OAB Advogados de SP recorrem ao Supremo contra interceptações telefônicas
A Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo impetrou hoje (3/1) um Habeas Corpus (HC-83966), com pedido de liminar, em favor de todos os profissionais inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de São Paulo.
No HC, a entidade alega que
os advogados paulistas estão sofrendo constrangimento ilegal em virtude de
interceptações telefônicas às quais estariam sendo vítimas. Argumenta a
Federação que as interceptações telefônicas estão sendo feitas por iniciativa
do Ministério Público, que as requisita judicialmente, sem “a prévia e
criteriosa distinção entre o exercício profissional destes e eventuais
infrações cometidas, o que atinge e ameaça todos os advogados inscritos na
OAB”.
Sustenta ainda a entidade que
está sendo violado o direito-dever de comunicação dos advogados com seus
clientes, apontado como “regra de ouro da advocacia e um dos mais sagrados
princípios deontológicos”. Para a Federação, no caso em questão o Ministério
Público vem “abusando de suas prerrogativas institucionais”, em investigações criminais,
ao requisitar judicialmente a interceptação de ligações telefônicas realizadas
entre advogados inscritos na OAB e seus clientes.
Ao reforçar o pedido de
liminar, a entidade defende que o advogado é inviolável, nos termos do artigo
133 da Constituição Federal, do Estatuto da OAB e da Lei Federal 8.906/94, que
não autoriza a interceptação das comunicações telefônicas mantidas entre
advogados e seus clientes.
Ainda na tarde de hoje, o
presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, reuniu-se com o presidente da
Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo (Fadesp),
Raimundo Hermes Barbosa, e outros representantes
da instituição. Durante a visita, Barbosa falou ao ministro sobre
o HC da Fadesp contra o
procurador-geral da República.
“Entendemos que aqueles que
eventualmente se desviaram da conduta ética do advogado deve ter, primeiro, a
sua culpabilidade provada e só então pode ser afastado e aí sim ser tratado
como um marginal”, afirmou Barbosa. Segundo ele, esse problema está ocorrendo
indiscriminadamente em todo país, principalmente em São Paulo.